Notas historiográficas para “superar o imperativo do esquecimento”
Que memórias da escravidão foram
construídas na literatura, no cinema,
na televisão e em outras mídias?
(Isabel Guillen)

Introdução
Nas palavras da organizadora Isabel Cristina Martins Guillen de Lugares de Memória da Escravidão e da Cultura Negra em Pernambuco, o livro se propõe “compreender a memória da escravidão no Brasil, em especial, em Pernambuco, e suas implicações nas políticas públicas de promoção da igualdade racial” (2021, p.10). Sua importância reside no fato de constatar que na cidade de Recife e sua região metropolitana, a memória da escravidão foi sendo apagada do espaço público [1]. Daí a questão: Como a escravidão no pós-abolição permaneceu na memória coletiva do Brasil e em particular de Pernambuco?
Lugares de memória e da escravidão e da Cultura Negra visa recolocar na agenda a discussão sobre o trauma da escravidão e do tráfico transatlântico [2]. Um projeto de pesquisa que buscou inventariar os lugares de memória da escravidão e a cultura negra na Região Metropolitana de Recife é o subsolo sobre o qual se assenta o livro. Ao longo de seus onze capítulos, numa abordagem interdisciplinar, aponta possíveis caminhos de discussão e debate, procurando descortinar lugares de memória da escravidão. Nosso proposito neste texto é explicitar os pontos essenciais dos capítulos, procurando preservar sua estrutura, na tentativa de revelar a riqueza desta pesquisa tão significativa, não só para a cidade do Recife, mas para o território nacional.
Revisitando os capítulos
O capítulo intitulado O debate sobre a memória da escravidão e do tráfico atlântico de africanos escravizados: lugares de memória na Região Metropolitana do Recife (pp.19-41), de Isabel Guillen, encaminha uma discussão geral e teórica não só sobre os “lugares de memória”, como sobre “deveres de memória”, com relação ao tema da escravidão e do tráfico.
O conceito “lugar de memória” foi introduzido no debate historiográfico por Pierre Nora (1984), para pensar a crise da memória. “Hoje lugar da memória pode ser compreendido como uma categoria de classificação dos bens do patrimônio, em nível mundial” (p.21). O debate sobre o dever da memória da escravidão e do tráfico se faz presente no espaço público, graças a emergência de novos sujeitos que demandam políticas memoriais.
A autora, num primeiro movimento, retrata o debate sobre a escravidão e o tráfico a nível global, relembrando ações ocorridas na Europa (França e Inglaterra), ações promovidas pela ONU e as desenvolvidas na África. Não deixa de apontar os riscos de transformar a história da derrota, numa história do progresso e do triunfo. Num segundo momento, pergunta como se constituiu publicamente o debate sobre a memória da escravidão no Brasil. “No princípio essa memória permaneceu subterrânea e mesmo negada, dado que a escravidão no Brasil seria mais ‘branda’” (p.28).
A memória da escravidão vem sendo reelaborada na sociedade brasileira, na segunda metade do século XX, por uma geração de autores(as) negros e negras – Abdias Nascimento, Ruth Souza, Décio Freitas e outros(as) -, e pelos movimentos negros. Uma vez reelaborada, reconstruída e reimaginada, passa a fazer parte da história nacional. Os processos de patrimonialização da Serra da Barriga, do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro são sinais claros do resgate da memória da escravidão e do tráfico.
Num terceiro movimento, pergunta pelos lugares de memória da escravidão e da cultura negra em Pernambuco. Para a autora, “uma história do Recife e de sua região metropolitana não é compreensível distanciada da escravidão, da cultura negra e da presença de negros e negras nesse espaço” (p.36). O desafio é inscrever nos lugares da cidade outra memória, distante de uma história única, homogeneizadora. Uma história de homens e mulheres que são sujeitos de seus próprios destinos.
O tráfico de escravos depois de 1831: história e esquecimento no nordeste insurgente, de Marcus Joaquim Maciel de Carvalho (pp.43-68), parte do princípio de que “a História, com h maiúsculo, é diferente do que se conta por aí do passado comum de um povo” (p.43), para questionar a memória hegemônica. O processo de construção de uma memória hegemônica edifica mitos e inverdades sobre o passado e gera esquecimento. “Entre tantos esquecimentos, um dos mais abusivos em Pernambuco é sobre o tráfico atlântico de cativos africanos para a antiga capitania de Duarte Coelho, depois província do Império do Brasil” (p.45).
Os ricos traficantes de escravos de Pernambuco - Francisco de Oliveira, futuro barão de Beberibe, Augusto de Oliveira, seu filho, Elias Coelho, monarquistas, sustentaram a união trono e tráfico de escravos. O movimento de 1817 e a república da Confederação do Equador eram contra a escravidão e o tráfico; ambas foram “esmagada[s] pelas forças imperiais apoiadas pelos grandes proprietários de escravos de Pernambuco” (p.46).O poder e a influência na política desses traficantes de escravos era grande, pois muitos deles eram juízes de paz, subdelegados da polícia e oficiais da guarda nacional.
“A escravidão continua presente entre nós, não apenas como relação de trabalho, mas também nos meandros mais profundos do inconsciente coletivo” (p.50). O esquecimento da memória do tráfico surpreende, pois, muito cedo a capitania começou traficar, em 1542 Duarte Coelho pediu permissão ao rei para trazer escravos e foi atendido. Pelos dados do Trans-Atlantic Slave Date base (TSTB), pode-se ver que, entre o século XVI e a invasão holandesa, em 1630, Pernambuco recebeu praticamente metade de todos os africanos levados para a América portuguesa, ou seja 134.396 dos 270.242 computados (Slave voyages). Na escala atlântica do tráfico, Pernambuco só perde para Rio de Janeiro, Bahia e Jamaica. Mais de duas mil viagens negreiras partiram de Recife em busca de escravos na África. “Esses dados, portanto, mostram que o principal negócio de Pernambuco não era o açúcar. Era o tráfico atlântico de escravos” (p.53).
A colonização de Pernambuco foi garantida pela facilidade do tráfico, favorecido pelo tempo de viagem África-Brasil. “Depois de 1831, todavia, os navios negreiros passaram a desembarcar sua carga humana nas praias do litoral” (p.59), sempre com aval da classe senhorial rural e urbana. Em caso de desembarque em lugar errado, o risco de perder a carga humana era grande. O testemunho de Mahommah Gardo Baquaqua confirma o fato de desembarques clandestinos, com seus riscos. Não era só desembarcar, necessitava-se de uma estrutura para receber os cativos, “Em Pernambuco os engenhos do litoral ofereciam a estrutura” (p.64). “Foi a facilidade do tráfico para Pernambuco, portanto, que possibilitou o surgimento, a expansão e a manutenção da indústria açucareira local, impedindo que esta sucumbisse em face do declínio dos preços no mercado internacional e da crescente concorrência” (p.65).
Ezequiel David do Amaral Canário, em A escravidão e seus espaços no Recife oitocentista (pp.71-91), “apresenta aos leitores um pouco da dinâmica da cidade do Recife no século XIX” (p.71). A escravidão negra marcava todos os espaços da cidade, dividida em freguesias. “Três freguesias centrais, São Frei Pedro Gonçalves do Recife (o Recife portuário propriamente dito), Santo Antônio (antiga ilha de Antônio Vaz) e Boa Vista” (p.72). Com o crescimento urbano no século XIX, antigos povoados se tornaram freguesias.
O porto localizado entre as províncias do norte, recebeu milhares de escravizados vindos do Congo e Angola, e também da Costa da Mina [3]. Eles eram vendidos na Rua da Cruz (hoje Rua do Bom Jesus). Depois da Lei de 1831, os desembarques eram realizados nas inúmeras praias como: Catuana, Itamaracá, Pau Amarelo, Cabo de Santo Agostinho, Porto de Galinhas. Um espaço conhecimento como “fora das portas” transformou-se no lugar de sepultamento de escravos pagãos que morriam ao desembarcar. Para João José Reis, “o enterro de africanos pagãos equivalia, sem meias palavras, à remoção de lixo” (p.76).
A freguesia de Santo Antônio era local de moradia, com grande circulação dos trabalhadores (mestiços e brancos). Nela, os contrastes sociais podiam ser observados a olho nu. A freguesia abrigava uma significativa população livre se comparada com a população escrava. A freguesia de São José, lugar de moradia da população de livres pobres, tornara-se o espaço de esconderijo para escravos fugitivos e de festas profanas ou religiosas. “Alguns desses batuques poderiam estar relacionados a festa de caráter profano ou religioso (talvez ambos) para a população negra da cidade” (p.79). Já Boa Vista, freguesia continental, era uma região basicamente residencial que se expandiu entre o final do século XVIII e o início do XIX. Grandes aterros foram realizados sobre a margem do rio Capiberibe. A freguesia era uma área de encontro entre espaços rurais e urbanos. “Aclamados por historiadores, poetas e artistas, os rios Capiberibe e Beberibe marcavam a vida cotidiana do Recife no século XIX” (p.83). Grande parte da água potável que abastecia as cidades de Olinda e do Recife vinha do Capiberibe e do Beberibe.
A cidade continuava crescendo na passagem da primeira metade do século XIX. No entanto, a vida cotidiana de uma cidade escravista era marcada por tensões. Fugas, levantes e insurreições eram possíveis a qualquer momento. A insurreição de escravos na freguesia de Muribica, em 13 de junho de 1884, assustou a população. Projeto, que foi abortado pelas autoridades. Para o autor, “a escravidão na cidade do Recife e seus arredores caminhou em diferentes ritmos ao longo do tempo e do espaço” (p.89).
Escravidão e lugares de memória negra em Olinda, de Robson Pedrosa Costa (pp.95-113), quer “pensar onde e como transitavam por entre as malhas de repressão” (p.97), os escravizados e seus descendentes.
“No decorrer dos séculos, Olinda deixou paulatinamente de ser o lugar da prosperidade e da elite açucareira dos tempos duartinos. No século XIX não ocupava mais o centro do poder, passando o posto para sua ‘irmã’ e ‘rival Recife’” (p.95). Em Olinda, muitos são os lugares que não nos deixam esquecer o tempo da escravidão, que nos lembram de que “mesmo diante de tamanha violência diária, os escravos e seus descendentes foram capazes de construir sua própria história e cultura, deixando um importante legado que não pode ser esquecido” (p.97).
Olinda, mesmo não estando no circuito das plantations e com número reduzido de cativos nas últimas décadas da escravidão, contou com a presença negra em manifestações culturais e religiosas. O autor, em seguida, visualiza algumas informações que possibilitam uma compreensão mais densa da presença escrava em Olinda.
As três freguesias – da Sé, de São Pedro Mártir e de Nossa Senhora dos Prazeres de Maranguape, contavam em 1840, com uma população livre de 9.685 pessoas, no recenseamento de 1872, chegava a 11.606. Os escravos somavam 813, representando 6,5% da população. Em que espaços essa população escrava negra livre/liberta transitava nos tempos da escravidão? Um dos espaços por onde circulavam os escravizados(as) era o Mercado da Ribeira, construído por volta de 1693. Local de atividades comerciais e culturais, que reafirmam a presença da memória negra, “seja no rufar dos tambores do Maracatu Badia, no Samba de Coco Irmãs Lopes ou no Afoxé Alafin Oyó” (p.100).
A presença negra era significativa entre os canoeiros da estação Varadouro, ela facilitava a retirada da água do Beberibe. Inúmeras fontes, bicas, cacimbas e chafarizes públicos espalhados pela cidade eram lugares de encontro, solidariedade e tensões de escravizados e escravizadas. A famosa Bica do Rosário existia desde o século XVI, sendo fechada pelo governo na segunda metade do século XIX, com o intuito de modernizar o abastecimento de água na cidade. A Irmandade dos Homens Pretos de Olinda é “um dos mais antigos registros do conjunto arquitetônico construído por negros escravos no Brasil, criado com o objetivo de aproximá-los da religião católica” (p.105). O caráter organizacional das irmandades negras é revelador da capacidade de seus membros de se autogerir, de estabelecer laços de solidariedade. “A Irmandade do Rosário dos Homens Pretos se transformou em um lugar de memória ainda viva” (p.107).
Irmandades negras em Pernambuco, de Marcelo Mac Cord (pp.115-131), reforça “a perspectiva de que é empobrecedor entendê-las por meio de polaridade “quilombo versus antiquilombo” (p.119). As irmandades são espaços de sociabilidade católica que surgiram na Europa Medieval entre os séculos XII e XIII. “No Brasil, as irmandades tiveram grande importância nos períodos colonial e imperial. Ao menos até o fim da primeira metade do século XIX” (p.116). As elites brancas letradas e proprietárias se reuniam nas irmandades do Santíssimo Sacramento, por sua vez, homens e mulheres negras, escravizados ou livres nas irmandades de Nossa Senhora dos Homens Pretos, São Benedito, Santa Efigênia e São Elesbão.
Estudos tradicionais apresentavam uma compreensão das irmandades polarizadas: eram espaços de ‘acomodação’ versus ‘resistência’. Para Décio Freitas e Caio Boschi, as irmandades são um antiquilombo, espaço de acomodação; já Julita Scarano, mesmo valorizando as irmandades como espaço de reivindicações sociais, subestima a agência dos escravizados(as) noutros espaços. “No bojo da renovação historiográfica das últimas décadas, o trabalho pioneiro mais importante sobre as irmandades negras foi escrito por Mariza Soares: Devotos da cor: identidade étnica, religiosidade e escravidão no Rio de Janeiro, século XVIII” (p.119). Ao estudar as irmandades faz-se necessário atentar para a diversidade de estratégias sociais em suas atividades, divisões étnicas e composições políticas. Entendê-las, pois, por meio de polaridades “quilombo” versus “antiquilombo” é empobrecedor.
Em Pernambuco houve uma grande variedade e diversidade de irmandades católicas, congregando diferentes grupos étnicos, sociais e profissionais. “um mesmo indivíduo, contudo, de acordo com suas múltiplas identidades sociais, poderia frequentar, simultaneamente, muitas confrarias” (p.120). Ter igreja própria era o sonho de cada irmandade, a da irmandade do Rosário foi inaugurada ainda na segunda metade do século XVII. O atual templo teve suas obras iniciadas por volta de 1720, concluído, em 1777. Para construí-la os confrades africanos se aliaram a mascataria recifense. Duas eram as suas instâncias de poder: a mesa regedora e as hierarquias do rei do Congo. As autoridades pernambucanas tentaram silenciar as “hierarquias do rei do Congo” e outras patentes, não conseguiram; “O que estava em jogo na disputa pelo controle do reinado era a possibilidade de neutralizar adversários por meio de sólidas alianças e usufruir das vantagens que isso implicava” (p.125-126).
Tensões ocorriam com frequência no seio das irmandades, uma das mais significativas se deu entre José Pereira dos Santos e Antônio de Oliveira. Estava em disputa o cargo de rei do Congo e das nações da Costa d’África. Nesta saiu vencedor Antônio de Oliveira, em 14 de setembro de 1948. “A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos do bairro de Santo Antônio e as ‘hierarquias do rei do Congo” permitem que relativizemos os tradicionais estudos sobre as irmandades de negros que buscam engessá-las em explicações socializantes” (p.127).
Entre ruas e praças, o Teatro de Santa Isabel e a Faculdade de Direito: lugares de memória do Abolicionismo e de lutas judiciais por liberdade no Recife, de Gabriel Navarro Barros (pp.133-156), “busca apresentar uma reflexão sobre as duas últimas décadas do cativeiro no Recife, conectando-o a locais na cidade que possam hoje significar memórias” (p.134). Sua importância reside no fato de que estabelecer conexões entre o passado e o meio físico possibilita uma compreensão da história e favorece o estabelecimento de laços identitários com a cidade.
Na década de 1880, o movimento abolicionista crescia na cidade. No dia 25 de março de 1884, a província do Ceará aboliu legalmente a escravidão e Recife comemorou intensamente. Um dos lugares de comemoração foi o Santa Isabel, palco de recitais, de música, poesia e discursos de abolicionistas. No teatro, entre 1884 e 1885, Joaquim Nabuco proferiu seus celebres discursos. José Mariano foi um dos abolicionistas, muito popular, com ampla atividade na capital e no interior. “Os oposicionistas indicavam ele e Nabuco como propagadores do ódio, da vingança, de todas as paixões ruins e da insurreição dos escravizados” (p.140). [4]
O Clube do Cupim, fundado em outubro de 1884 por José Ramos, organização secreta que visava “roer” a instituição da escravidão, atendia a pedidos de cativos em busca da liberdade. O clube contou com a colaboração de muitos sujeitos simpáticos à causa. “Um casario na Rua do Imperador, a casa de José Mariano (Poço da Panela) e também as de Barros Sobrinho e de Leonor Porto (fundadora do Avelibertas) e o Hotel Oriental poderiam servir de abrigo aos sujeitos [fugitivo]” (p.144). As mulheres participaram intensamente das lutas abolicionistas, entre elas Dona Olegarinha, esposa de José Mariano, Leonor Porto, Maria Amélia de Queiroz, poetisa e frequentadora do Clube do Cupim entre outras [5].
O Avelibertas libertou cerca de 200 escravizados. “O Teatro de Santa Isabel, o Poço da Panela, a Faculdade de Direito e a Rua Nova são localidades expressivas na história do abolicionismo local” (p.146). O movimento abolicionista operou não só com atuação da elite, mas com “o enfrentamento de escravizados diante de seus proprietários, através do acesso à justiça, operou para minar a instituição da escravidão” (p.147). Na verdade, a busca pessoal por liberdade contribuiu para abalar profundamente o moral dos proprietários. Após 1871, cresceram as ações de liberdade, escravizados(as) passaram a ter acesso à justiça, principalmente as mulheres negras atuaram nesse sentido [6]. “Os locais em que estavam estabelecidos os Juízos de Direito Civil e de Órfãos, bem como o Tribunal da Relação, no Recife, não são conhecidos pela população local como lugares de memória da escravidão ou da abolição” (p.155).
Janine Primo Carvalho de Meneses, em Quilombo, Passado Presente (pp.159-178, apresenta diversas formas e ações de resistência, especialmente a dos Quilombos. O Quilombo dos Palmares foi o maior que existiu no Brasil, ocupando uma vasta área, com 8 mil quilombolas, ao longo dos séculos XVI e XVII. Destruído, em 20 de novembro de 1695, pela expedição do bandeirante Domingos Jorge [7].
A organização e resistência negra se intensificou a partir da década de 1970, com o Quilombismo de Abdias Nascimento, Movimento Negro Unificado, Missa dos Quilombos, promulgação da Constituição Federal de 1988, com seu “Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. O Decreto nº 4.887 de 2003 ressignificou o conceito e o entendimento de quilombo: “são considerados remanescentes das comunidades quilombos os grupos étnicos-raciais, segundo critérios de autoatribução, com trajetória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão histórica sofrida” (p.162). O reconhecimento da constitucionalidade do Decreto nº4.887/2003 ocorreu , apenas , no dia 8 de fevereiro de 2018.
O fenômeno quilombo, visto no período colonial e imperial como “mal contagioso e criminoso”, hoje se institui como sujeito de direitos.” A historicidade sobre o tema nos permite perceber a quantidade e diversidade dos tipos de organização, bem como a dimensão, as culturas, a economia, as identidades étnicas e a itinerância dos quilombos” (p.164). Para um maior conhecimento dos quilombos é necessário ampliar pesquisas e a tipificação de fontes documentais, não só em Recife como no país.
Em Pernambuco, o Quilombo de Catucá, constituído no século XIX, entre Recife, Goiana e Zona da Mata é um quilombo móvel, formado por vários mocambos, com diferentes líderes, denominados malungos. O quilombo de Catucá teve lideranças femininas como Joana, Luzia, entre outras e líderes masculinos, como Manoel Galo, Leandro Carubá e muitos outros. Em 1835, Catucá já representava uma das maiores preocupações para as elites. Informações oficiais indicam que o quilombo teria sido destruído entre 1836 e1837.
“A significação de Malunguinho foi de tamanha importância que prevaleceu no tempo: faz-se presente nos topônimos e enquanto entidade espiritual nos terreiros da jurema sagrada e da umbanda, conectando as presenças materiais, espirituais e simbólicas quilombolas” (p.172). A organização Quilombo Cultural Malunguinho formada por historiadores e membros das religiões de matriz afro-indígenas “é uma continuidade simbólica da luta do Quilombo do Catucá” (p.173).
Ivaldo Marciano de França Lima, em Sambistas, maracatuzeiros e afoxezeiros: entre as memórias e a história lugares de memória de homens e mulheres que fazem o carnaval no Recife (pp.181-216), discorre sobre algumas das manifestações culturais existentes em Pernambuco.
Para o autor, os conceitos de “cultura popular”, “práticas negras”, “afro-brasileiras, “afro-descendentes” não definem as manifestações culturais apontadas no título, pois, “o fazer de tais práticas é muito mais complexo do que essas percepções e perspectivas teóricas” (p.184). Estas manifestações culturais não possuem uma origem única, linear, “tampouco trazem consigo uma essência de algo destituído de dinâmicas e constantes transformações” (p.185). As três manifestações podem ser consideradas como parte do patrimônio intangível da cultura pernambucana ao representarem ao mesmo tempo memórias e identidade.
Os maracatus nação agregam diversas marcas de manifestações culturais (aruenda/festas de coroação do rei e da rainha Congo). “Em Pernambuco, os afoxés contemporâneos aparecem no início dos anos 1980, como parte das estratégias da atuação política de organizações pertencentes aos movimentos sociais negros” (p.187). A contemporaneidade significativa dos afoxés é uma realidade criada, em 1982, ou se já existiam antes. Quanto às escolas de samba, se discute acerca de sua origem, carioca ou sertaneja indígena (Bernardo Alves). “O samba existente no Recife pode ser apontado como uma composição de práticas trazidas do Rio de Janeiro com outras aqui existentes” (p.192).
Para o autor, samba e escola de samba não deveriam ser compreendidos como sinônimos, mas como uma construção. No Recife havia agremiações denominadas “sambas”, na segunda metade do século XIX até os primeiros 30 anos do século XX. “O samba é também pernambucano, genuinamente da terra, e por isto mesmo creio que sua celebração se constitui em ato de afirmação da universalidade existente nessas terras... O samba é também (mas não só) pernambucano” (p.194).
Os lugares de memória suscitam sentimentos alusivos a uma dada identidade, explicitando a ideia de pertencimento a um grupo ou comunidade de sentido. A título de exemplo, o Pátio do Terço, no bairro São José, lugar de memória para maracatuzeiros e afoxezeiros, mas também para antigos sambistas do grupo Donzelos, Sabaré e da escola de Samba. O evento conhecido como Noite dos Tambores Silenciosos promoveu e retroalimentou o maracatu nação como lugar de “herança africana” de prática ancestral dos negros.
Os pontos de encontro, as passarelas são lugares de memória de afoxés, maracatus e escolas de samba. “A memória, via de regra, encontra-se às turras com a história, seja por sua condição conservadora ou por seu lugar de ser representada de maneira fixa e estática, mas em constante movimento e associada de maneira visual ao presente” (p.211).
Raphael Souza Lima dedica Agò:Lôna: uma breve história dos xangozeiros do Recife (pp.219-245), mostra a “memória desses antepassados babalorixás e ialorixás, que mantiveram viva a religião dos orixás em Pernambuco” (p.224).
Desde a década 1960, na segunda feira de Carnaval, se promove no pátio da Igreja do Terço, a cerimônia da Noite dos Tambores Silenciosos. A partir das 22 horas tem início o desfile de Maracatus. “Segunda-feira, nas religiões dos terreiros, é dia de se adorar as almas, os antepassados, ou, em iorubá, ‘os eguns’ (p.219). A Rua Vidal de Negreiros, onde se localiza o Pátio do Terço, viveram Sinhá (Viviane Rodrigues Braga, 1867-1966) e Iaiá (Emília Rodrigues Castro (1870-1968) ialorixás de grande prestígio no xangô. Tias que criaram educaram Maria de Lourdes Silva, a Badia (1915-1991). Badia, Paulo Viana e Dona Santa moravam no bairro em que faziam o Carnaval, e era o lugar dos antigos xangôs.
Mas o que é xangô? “O conjunto de práticas rituais e das crenças religiosas ali seguidas, embora já fortemente influenciado pelo catolicismo e por tradições ameríndias mesmo nos centros mais ortodoxos, segue o modelo das tradições religiosas do EWE-FON (jeje) e dos YORUBÁ (Nagô)” (p.223). Muito se tem escrito sobre as religiões afro-brasileiras, com esquecimento daqueles(as) que as mantiveram por gerações ou que as recriaram diariamente. Durante o período colonial e imperial as religiões sofreram perseguição tanto da Igreja Católica como do Estado brasileiro. Além disso enfrentam outros dois obstáculos a serem superados: os preconceitos por parte da medicina e da religião, isto é, não serem consideradas religiões.
O Terreiro mais importante em Recife é o do Pai Adão, o Ilê Obá Ogunté, ainda em atividade, fundado por uma mulher Inês Joaquina da Costa, em 1870. Na década de 1930, inicia-se uma nova política de convivência baseada no diálogo com os folcloristas, política ampliada com a presença mais tarde de Mario de Andrade, à frente da Missão Pesquisas Folclóricas (1938). “O golpe do Estado Novo, no entanto, trouxe a Pernambuco, em 1937, um novo interventor [Agamenon Magalhães], cujas próprias convicções e de seus aliados iam totalmente de encontro a todo esse novo movimento de ‘redenção’ (ao menos teórico) da cultura e religiosidade negra “(p.230). De 1937 a 1945, a repressão foi intensa. Só quinze anos depois, os terreiros reabriram suas portas, após a queda de Vargas. Quatro anos após a promulgação da Constituição de 1946, os babalorixás e ialorixás, num abaixo assinado exigem seus direitos, como liberdade de culto, crença e associação. “Por trás desse ato de participação cidadã e de apropriação das instituições democráticas, no entanto, já existia uma articulação política muito maior entre esse grupo de sacerdotes, políticos e empresários” (p.234). Em 1950, este grupo reconheceu em cartório seu estatuto denominado de Federação dos Cultos Africanos de Pernambuco, visando ganhar certa autonomia. Em 1951, um projeto de lei transferiu para a Federação a atribuição de emissão de alvarás de funcionamento. Logo depois, em oposição a Federação surge a Federação dos Cultos Afro- Brasileiros. A permissão de uma segunda Federação abriu caminho para outras federações, entre as décadas de 1960 e 1970.
Na década de 1950, a umbanda cresceu em Pernambuco, influenciando na criação dos “xangós umbandizados”. Um umbandista famoso foi o babalorixá Edwin Barbosa da Silva, (Pai Edu,1934-2011). Os terreiros continuaram sob vigilância policial durante a ditadura militar” (1964-1978), com a extinção do Ato Institucional nº 5(AI.5), em 1978 e da assinatura do decreto de anistia, em Pernambuco, os babalorixás celebram o término da exigência de emissão de licenças de funcionamento.
Os xangozeiros chegaram vivos ao século XXI. O projeto Mapeando o Axé localizou, em 2010, 1261 templos das mais diversas expressões afro-brasileiras em Pernambuco. A Roça Osún Opará Oxóssi Ybualama, do tata Ramindo de Oxóssi é famosa. Outra nação importante é a xambá, que hoje concentra-se no terreiro de Mãe Biu, sua fundadora. Desde a década 1980 a nação ketu, se faz presente em terras pernambucanas. O catimbó, tão perseguido, hoje, se mostra bastante fortalecido. “Apesar de anônimos, essa massa de adeptos e sacerdotes foi no passado e continua sendo hoje também grandes exemplos de capacidade de resistência e criatividade para vencer as dificuldades de praticar uma religiosidade tão pouco aceita e mal compreendida” (p.242).
Monumentos e lugares de memória da cultura negra no Recife, de Isabel Cristina Martins Guilllen (pp.247-265), nele “objetiva-se discutir as estratégias dos movimentos negros em Pernambuco em criar lugares de memória da cultura negra e da escravidão na cidade do Recife e sua região metropolitana” (p.248). Para alcançar esse objetivo, a autora entrevista militantes dos movimentos negros acerca de alguns lugares simbólicos para a cultura negra, como Pátio do Carmo, Pátio de São Pedro e Pátio do Terço. Espaços nos quais desde a década de 1990 foram definidas estratégias para criar visibilidade para a cultura negra.
Os lugares de memória da escravidão e da cultura negra na cidade são frutos de muita luta, desde a década de 1970. Entre os lugares de memória na cidade pode-se apontar: Marco Zero, onde ocorre a abertura do Carnaval, no bairro São José, considerado bairro negro (século XIX), o Mercado São José e especialmente, os pátios do Terço, de São Pedro e do Carmo. “Nesses locais se realizaram importantes eventos culturais ao longo dos anos, bem como foram os escolhidos para receberem alguns monumentos que sinalizam para os passantes a presença da cultura negra no Recife e a história da escravidão” (p.250).
A Praça, ou o Pátio do Carmo, fica defronte à Basílica e ao Convento de Nossa Senhora do Carmo, construída entre os séculos XVII e XVIII, nela encontra-se o busto de Zumbi, obra de Abelardo da Hora (1924 -2014). Nessa praça, no dia 22 de novembro de 1981 foi celebrada a Missa dos Quilombos, criada por Pedro Casaldáliga e Pedro Terra, com composição de Milton Nascimento e participação de Dom Helder Câmara. O monumento foi colocado na praça, em 2004. No entanto, “na prática, o espaço reconhecido pelos afro-pernambucanos como reduto da negritude é o Pátio de São Pedro” (p.253). O lugar foi escolhido pelo Movimento Negro para a realização por décadas da Terça Negra, evento cultural no qual se apresentavam grupos musicais, como maracatus, afoxés, samba reggae e outros.
O Pátio de São Pedro foi o local escolhido para abrigar a estátua de Solano Trindade, já que, no lugar, música e poesia feitas por negros e negras circulavam toda a semana. A Noite dos Tambores Silenciados é realizada na segunda feira de Carnaval no Pátio do Terço, desde 1960. “Na atualidade, o Pátio do Terço pode ser considerado como um lugar de memória da cultura negra pela presença da Casa da Badia, uma das mais afamadas mães de santo do Recife, na segunda metade do século XX” (p.256).
Paulo Viana, na década 1960, deu início a Noite dos Tambores Silenciosos, com a representação de uma peça teatral, que lembrava a escravidão. Na década de 1990, há um processo de sacralização da Noite dos Tambores Silenciosos. Tata Raminho assume a condução da cerimônia religiosa. Em 26 de dezembro de 2008 foi inaugurado o Monumento ao Maracatu, que representa um grupo de maracatu nação e mostra o seu cortejo. O monumento é composto por oito esculturas fundidas em bronze que fazem referência à lendária Rainha do Maracatu Elefante, Maria Julia do Nascimento, Dona Santa, falecida 1962.
Vale lembrar que por mais de dez anos a prefeitura de Recife foi gerida por governos petistas (João Paulo de 2001 a 2008, e João da Costa, de 2009 a 2012). Governos preocupados com a valorização da cultura negra, com o combate ao racismo, as políticas de reparação e promoção da igualdade racial. Essa pauta, se ampliou para além dos movimentos negros organizados e passou a fazer parte da agenda política brasileira. Um fato a se lamentar é o da agressão a esses espaços e estátuas, questão que merece uma sólida reflexão.
Rosely Tavares de Souza, em O lugar de memória da Escravidão no Recife e os desafios para a implementação da Lei Nº10.639/2003 na educação básica (pp.267-284), “trata sobre aqueles que possuem privilégios e outros que foram relegados ao lugar da marginalidade, da invisibilidade, da violência, da negação de direitos e de representação” (p.267). O texto abre com duas questões:” como tem sido discutido o tema da escravidão na sala de aula e como essa temática é representada nos livros didáticos de História”.
A questão étnico-racial passa a fazer parte da agenda política educacional na década de 1990. Determinações legais tornaram essas discussões obrigatórias no ensino fundamental. A Lei Nº10.639/2003 não foi sancionada de forma súbita, ela é fruto de um longo processo que envolveu muitos segmentos da população. Processo, que ocorreu da LDB de 1961 (questão da raça nas leis educacionais) à Lei Nº10.639, de 2003 foi longo e de muita luta. A Marcha Zumbi dos Palmares, as ações afirmativas no campo educativo, cotas raciais nas instituições de ensino superior, temática étnico-racial no currículo, formação continuada dos professores contribuíram, como a atuação dos movimentos negros.
O livro didático ocupa um lugar como um subsídio mediador, mas pode ser também “um instrumento de reprodução de ideologias e do saber oficial, imposto por determinados setores de poder e pelo Estado “(p.272). Só o livro didático não dá conta de superar as reproduções equivocadas sobre a figura do escravizado ou do negro/negra. “Infelizmente, é bastante difícil encontrarmos imagens que possam problematizar outras maneiras de viver no Brasil escravista, tais como as práticas de resistência, de sociabilidade, de ressignificação de manifestações culturais, familiares e religiosas” (p.284).
Daí a questão: que temas trabalhar como conteúdos didáticos nas instituições escolares?” É preciso propor temas que possibilitem a elucidação da experiência negra como um construto histórico, dinâmico, pleno de subjetivismos, com sistemas de valores e religiosidades diversas, lutas políticas e constantes ressignificações dessas mesmas práticas” (p.277). Na atualidade, o professor deve mediar o processo de aprendizagem, isto é, mediar a troca de saberes com os que estão em processo de escolarização básica. Exige-se, pois, uma permanente crítica à sua prática docente.
A autora aponta que “o projeto Memória da Escravidão fornece, através do blog Memória da Escravidão e Cultura Negra em Pernambuco, um importante material didático, com indicações de iconografia, bibliografia e documentos que podem e devem ser trabalhados em sala de aula” (p.281)
Pontuações finais
A leitura de Lugares da memória da escravidão e da cultura negra em Pernambuco se transforma numa autêntica viagem pelas ruas de Recife e Olinda. Viagem que descortina lugares de memória da cultura negra, que uma história hegemônica, única acabou silenciando, ocultando. Ao longo do percurso as surpresas são muitas, como saber que “o principal negócio de Pernambuco não era o açúcar. Era o tráfico atlântico de escravos “(p.53); saber que os escravos pagãos não tinham um enterro digno e saber da aliança dos membros da Irmandade dos Homens Pretos do bairro Santo Antônio com a mascataria recifense.
A luta abolicionista teve uma acolhida generosa na cidade, não só entre os políticos, mas por parte da população escravizada, que na busca pessoal por liberdade contribuiu para abalar as estruturas escravistas. Digno de nota, a participação intensa das mulheres em prol da abolição. Não só de mulheres brancas, mas, também negras, como Gertrudes de Jesus que era auxiliar interna do Clube do Cupim. Na hierarquia, ela estava acima de mulheres brancas da elite, como Leonor Porto, fundadora do Avelibertas e de Dona Olegarinha, esposa de José Mariano, estas eram auxiliares externas. A presença e atuação de Gertrudes vem sendo resgatada por pesquisadores (as) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). [8]
Gradualmente, os lugares de memória se fazem conhecidos, como a Praça do Carmo, o Pátio do Terço, o Monumento ao Maracatu, o Mercado São José e o Marco Zero entre outros. Para a organizadora, Lugares de memória “é um livro que discute, sobretudo, o silêncio, a necessidade muitas vezes (im)posta de esquecer, numa vã tentativa de conciliação e de cordialidade, como se dessa forma fosse possível superar o trauma” (p.9).
Uma das experiências marcantes da leitura é o encontro com homens e mulheres que na resistência, criatividade e coragem preservaram a cultura, religiosidade, práticas festivas no dia a dia. Graças ao engenho e arte de sambistas, maracatuzeiros e afoxizeiros, podemos, hoje, entrar em contato com a riqueza cultural e religiosas dessas manifestações. Ao tomar conhecimento de toda essa riqueza cultural muitas vezes silenciada, passamos a olhar para a cidade na qual vivemos na esperança de identificar lugares de memória da escravidão e da cultura negra ou constatar silenciamentos.
Um Caderno de Imagens (18 imagens) (pp.285-295) possibilita aos leitores e leitoras visualizar muitos dos lugares e monumentos mencionados nos textos.
A leitura de Lugares de memória é envolvente e em sua dinâmica crítica, renova balizas históricas e nossos olhares sobre a cidade, suas ruas, praças e monumentos. Apresenta uma densa pesquisa e contribuições valiosas de vários estudiosos e estudiosas, envolvidos na árdua tarefa de romper com o apagamento e silenciamento da presença afro-brasileira nos espaços públicos de nossas cidades. Se você busca uma leitura voltada para uma História que busca romper com as amarras hegemônicas de uma visão do passado e do presente, esta é a obra do seu interesse.
Bibliografia
BOSCHI, Caio C. Os leigos e o poder: irmandades leigas e política colonizadora em Minas Gerais. São Paulo: Editora Ática, 1986.
FREITAS, Décio. Palmares e a guerra dos escravos. Rio de Janeiro: Graal Editora,1990.
SCARANO, Julita. Devoção e escravidão: a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos no Distrito de Diamantino no século XVIII. São Paulo: Companhia Editora Nacional,1976.
SOARES, Mariza C. Devotos da cor: identidade étnica, religiosidade e escravidão no Rio de Janeiro, século XVIII. Civilização Brasileira, 2000.
Anotações
[1] GUILLEN, Isabel Cristina Martins(org.). Lugares de Memória da Escravidão e da Cultura Negra em Pernambuco. Recife: Cepe Editora, 2021. ISBN 978-65-5439-198-0, pp.297.
[2] Com relação ao trauma da escravidão ver, RAMOS, Denise. G. Cultural complex and the elaboration of trauma from slavery. Núcleo de Estudos Junguianos –PUCSP.
https;// www5.pucsp.br. Acesso em 25.11.25
[3] Com relação à vinda de escravizados da Costa da Mina para o Brasil, ver MAIA, Moacir Rodrigo de Castro. De Reino traficante a povo traficado. A diáspora dos courás do golfo do Benim para Minas Gerais (América Portuguesa,1715-1750). Rio de Janeiro Arquivo Nacional,2022.
[4] Para maiores informações sobre Joaquim Nabuco, ver NOGUEIRA, Marco Aurélio. O encontro de Joaquim Nabuco com a política. As desventuras do liberalismo. 2ª ed. revista e ampliada do original. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2010.
[5]O autor esqueceu de mencionar Mariana Correia Gertrude de Jesus, uma mulher negra que esteve a frente do movimento abolicionista de Recife. Ela era uma auxiliar interna do Clube do Cupim.
[6] As mulheres negras se alforriam em grande quantidade, ver FARIA, Sheila de Castro. Sinhás Pretas, Damas Mercadoras. As pretas-minas nas cidades do Rio de Janeiro e de São João Del’Rey(1700-1850). São Paulo: Cosac, 2025. “Este livro é sobre as mulheres negras africanas que foram trazidas para o Brasil como escravizadas e conseguiram não apenas obter sua liberdade, mas também prosperar num tempo e num contexto em que circunstâncias lhes eram totalmente desfavoráveis (FARIA, 2025, p.9). Ver resenha em https://www.veredasbrasileiras.com
[7] Para uma visão mais ampla do grande quilombo Palmares, ver GOMES, Flávio dos Santos. Palmares: escravidão e liberdade no Atlântico sul. São Paulo: Contexto, 2014; LARA, Silvia Hunold. “Com fé, lei e rei: um sobado africano em Pernambuco no século XVII. In: GOMES, Flávio dos Santos. Mocambos e Palmares: história e recepção crítica da literatura negra no Brasil. Rio de Janeiro;7 Letras, 2010.
[8]Ver CORREA, Mariana. Gertrudes de Jesus uma mulher negra à frente do movimento abolicionista. In: Agência Pública, 20 de novembro de 2025.https://apublica.org. Acesso em 29 de novembro 2025.



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