Rio Grande do Sul: irmandades e devoções (1873-1942)
- Ênio Brito
- 2 de ago.
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Atualizado: 9 de ago.

“A irmandade sempre se interessou pela liberdade
de sua gente, mesmo não tendo alcançado um campo
vasto e significativo”
(Julita Scarano, 1975, p.50)
“No alvoroço da festa, não havia corrente de ferro que os prendesse, nem chibata que intimasse”, este é o belo título do livro de Ênio Grigio, fruto de sua tese de doutorado defendida na Unisinos, em 2016. Nele, analisa a importância para homens e mulheres negras da Irmandade do Rosário em Santa Maria da Boca do Monte, pois, “compreender a trajetória da Irmandade do Rosário e de seus integrados em diferentes contextos políticos e sociais” (2018, p.17) [1]. Seus oito capítulos são desenvolvidos dentro dos marcos teóricos, que englobam o período da criação da Irmandade em 1873 e a demolição de seu tempo em 1942.
A análise da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário como “instituição”, que congregava os negros e negras de Santa Maria da Boca do Monte, está respaldada na expressão de Paulo Stault Moreira por uma “espécie de arqueologia arquivista, incontáveis documentos foram criteriosamente reunidos, permitindo ao historiador a graça de nos trazer uma narrativa absolutamente convincente e densa sobre aquela negra devoção do Rosário” (Primeira Orelha).
Irmandades do Rosário
Os dois primeiros capítulos intitulados, respectivamente, Origens e difusão das Irmandades de Nossa Senhora do Rosário (pp.29-56) e Irmandades e religiosidade no Rio Grande do Sul (pp.56-89) convidam seus leitores a acompanharem: “ as origens das irmandades, as possíveis explicações da devoção à ‘Senhora do Rosário’, sua identificação com a população negra em diversas regiões do Império Português, a diversidade de irmandades existente no Rio Grande do Sul e um pouco da historiografia sobre o tema” (p.83) [2].
Criadas na Europa Ocidental nos séculos XII e XIII, “as irmandades religiosas tiveram um papel central na história do catolicismo no Brasil, pelo menos até o final do século XIX” (p.32). Para Grigio três “atos” estão na base da consolidação da devoção ao rosário: a aparição da Virgem Maria a Domingos de Gusmão, a vitória de Lepanto contra a esquadra turca e a devoção da população negra.
Para analisar a devoção a Nossa Senhora do Rosário, o autor recorre a eventos históricos e a dimensão místico-religiosa. “A devoção a Nossa Senhora do Rosário foi construída por centenas de anos, até se consolidar como principal órgão da população negra na América Portuguesa e no Brasil Imperial” (p.35).
Em 1565, nascia oficialmente a confraria do Rosário dos Homens Pretos do Mosteiro de São Domingos, no centro de Lisboa. “O fato é que as irmandades negras se espalharam pela península Ibérica, pela África e pela América” (p.46). Para Julita Scarano, quem introduziu as Irmandades do Rosário no Brasil foram os jesuítas. Ainda no século XVI, José de Anchieta criou uma em Piratininga.
A função das irmandades tem sido objeto de significativos estudos e polemicas no campo historiográfico. “Atualmente, o seu estudo vai além desse binômio (dominação/resistência) e procura analisar a complexidade de sua atuação e de seus significados sobre diferentes perspectivas” (p.49). Esta perspectiva permite compreender entre outras coisas o protagonismo de seus integrantes.
O Continente de São Pedro só nas primeiras décadas do século XVIII foi inserido nos planos de expansão do Império Português. “Uma das preocupações dos novos habitantes da América Portuguesa e dos novos territórios a ela incorporados era a transposição de instituições que lhes garantissem segurança institucional e religiosa” (p.58). Em Campos de Viamão- noroeste do atual Rio Grande do Sul, a partir de 1745 foram criadas várias irmandades entre eles a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário.
Grigio identifica um total de cento e vinte seis irmandades no Rio Grande do Sul nos séculos XVIII e XIX, sabendo que esse número não representa a totalidade. A relação mesmo incompleta desvela aspectos importantes da religiosidade e das devoções presentes no Estado, como o prestígio da devoção mariana e a profusão de irmandades do Santíssimo Sacramento. Uma das preocupações das irmandades era “dar mais lustre ao Culto Divino”, cuidando das Igrejas, em sintonia com a sociedade barroca na qual estavam inseridas.
Floresceu na região o mito da pouca religiosidade do gaúcho; uma população afeita a guerra, com suas práticas populares pressionadas pela Igreja Católica. “A chave para compreender a adesão religiosa dos habitantes do Rio Grande do Sul pode ser encontrada na existência e atuação das irmandades na região” (p.75). Não se está excluindo o caráter elitista e exclusivista de muitas dessas irmandades, como as da Misericórdia. O número de irmandades negras é significativo, no entanto, “no Rio Grande do Sul, são poucos os trabalhos acadêmicos que têm como foco central as irmandades negras” (p.81).
Santa Maria da Boca do Mato
O terceiro capítulo, “Escravidão, irmandades e imigração alemã em Santa Maria (pp..85-118), tem como foco Santa Maria, cidade que nasceu de um acampamento com seu oratório e foi fundada por militares e civis, que demarcavam limites entre o território português e o espanhol. “Assim, o oratório transformou-se em capela, depois freguesia e, finalmente, o povoado ascendeu à condição de vila (município) em 1858” (p.91).
O senso de 1872 aponta para uma configuração multiétnica entre a população. A presença negra era significativa e participava intensamente nas irmandades. Ao longo do tempo, o munícipio recebeu, também, imigrantes alemães, entre eles soldados mercenários, que participaram da Guerra Cisplatina (1825-1828) entre outros, atraídos pelas oportunidades que a região propiciava. Estes imigrantes influenciaram na história da Irmandade do Rosário e na de seus membros. “Um dos aspectos de imediato envolvimento dos alemães e de seus descendentes foi o uso da mão de obra cativa” (p.108). A historiografia renovada tem demonstrado a presença de escravos na região colonial imigrante, eliminando mitos presentes na historiografia sobre a imigração no Rio Grande do Sul, “como o do isolamento, do indiferentismo político e da homogeneidade de pensamento dos alemães” (p.110). Na verdade, a dinâmica da sociedade brasileira foi incorporada pelos imigrantes. Famílias de imigrantes alemães possuíam escravos, é o que mostra o cruzamento de várias fontes.
O cotidiano dos escravizados em Santa Maria
O cotidiano da escravidão e o contexto da criação da Irmandade do Rosário em Santa Maria (pp.119-152) visa compreender com mais detalhes o cenário em que viveram os escravos em Santa Maria da Boca do Monte. Para isto recorre ao livro de memórias de João Daudt Filho, “confrontando suas lembranças e esquecimentos com outros documentos históricos” (p.127). Grigio tem presente que memorialista não é historiador, mas nem por isto deixa de ser importante. Cabe ao historiador “além da análise das recordações, os historiadores têm outra importante tarefa que é a de se tornarem os ‘guardiões dos fatos incômodos’, na expressão de Peter Burke” (p.127).
João Daudt relata que havia um quilombo dos caiambolas nas matas que circundavam o município, o que é atestado por outros documentos. Nas suas memórias, ele relembra, também, que “uma das importantes lendas do Rio Grande do Sul é a do Pai Quati, que retrata a vida de um negro nos matos de Santa Maria” (p.129). Ele exalta sua mãe preta Maria. As mães pretas teriam sido o elo entre a senzala e a casa grande, na visão de Gilberto Freyre. Visão que passou a receber críticas, que colocavam em discussão temas como “o da negação da maternidade negra, da separação das crianças escravas de suas mães, o abandono dos moleques na roda dos expostos, e o uso da ‘mercadoria escrava- leiteria’” (p.131) [3].
Os escravos, principalmente as escravas, teciam no interior das famílias alemãs e da famílias nacionais uma ampla rede de relações. “Maria, a mãe preta, era escrava dos Becker, mas amamentava o filho dos Daudt. Matildes era escrava dos Becker, mas amadrinhava filhos de escravos de Gabriel Haeffner, João Niederauer, André Beck, Salvador da Rosa Garcia e Julião José Flores” (p.134).
Os senhores alemães concederam poucas cartas de alforria. “Os alemães e seus filhos também se envolveram no lucrativo comércio de escravos, comprando, vendendo ou servindo como intermediários de outros interessados em cativos” (p.139) [4].
Nas suas lembranças, Daudt sinaliza para a violência sofrida pelos escravizados, mas, também, aponta para a bondade dos senhores. No entanto, “A violência era parte inerente ao sistema escravista e dela fizeram uso todos os que usufruíam do sistema, inclusive os imigrantes alemães e seus descendentes” (p.142). Lembranças religiosas se fazem presentes nas memórias de Daudt, como a fé em Nossa Senhora do Rosário, cuja irmandade foi criada pelo Pe. José Marcellino de Souza Bittencourt, em 1873, e dissolvida por ele em 1875. A dissolução da Irmandade foi fruto da “postura ultramontana, que estava sendo implantada por parte do clero católico” (p.151) [5]. As celebrações das irmandades negras iam na contramão das orientações ultramontanas. “A Irmandade do Rosário de Santa Maria foi uma das vítimas da estratégia de completa subordinação das associações leigas aos vigários paroquiais” (p.151). A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário renasceu no momento que a cidade passava por transformações no período da pós abolição e de implantação da República.
O renascimento da Irmandade no Pós-abolição
No sexto capítulo intitulado “Agora que estão sentados no Banquete da Formosa Liberdade: o renascimento da Irmandade no Pós-Abolição” (pp.153-193).
A diminuição de indivíduos escravizados estava em declínio em todo o país, no entanto era uma emancipação mais teatral do que real. Ex-escravos continuavam presos a contratos de prestação de serviços. “A estratégia de tentar controlar a população negra, por meio do discurso da benevolência dos senhores, deu-se até mesmo depois da assinatura da lei” (p.159). A elite política e intelectual da cidade construiu ao longo do tempo a memória do dia “Treze de Maio”, com a contribuição do clero, o que é comprovado pela Carta Pastoral de D. Sebastião Dias Laranjeira, de 15 de agosto de 1887. Controlar a memória da Abolição, produzir o sentimento de gratidão dos ex-escravos e transformar a população negra em mera expectadora era o objetivo principal das primeiras comemorações do “Treze de Maio” em Santa Maria.
Uma das primeiras solicitações da Irmandade foi pedir o espaço do antigo Cemitério Santa Cruz para sua sede. Tendo obtido o local, deu início a mobilização para a construção. “Foi mais de uma década de espera entre o lançamento da pedra fundamental e a inauguração da igreja” (p.176), em seis de outubro de 1901 na Vila Rica, um bairro negro. “Depois dessa fase inicial, onde a Irmandade procurou estabelecer a sua sede e construir sua Igreja, a etapa seguinte era sua organização institucional” (p.181).
Os estatutos apontam, o dia 24 de junho de 1891, como data da fundação da Irmandade. Entre os meses de abril e julho de 1899, a Irmandade transformou-se em Sociedade Beneficente Irmandade do Rosário. Com esse movimento buscava-se a autonomia frente aos eclesiásticos ultramontanos.
As festas organizadas em homenagem aos seus santos padroeiros eram os momentos de maior plenitude na vida das irmandades” (p.188). De coadjuvante na festa do Espírito Santo – a mais importante da cidade -, a festa do Rosário realizada no primeiro domingo de outubro cresceu e muito.
Os irmãos do Rosário no Pós-abolição
No capítulo sétimo, “Os irmãos do Rosário entre a escravidão e a liberdade” (pp. 195-232), o autor pretende utilizar a Irmandade como uma janela para observar a trajetória de indivíduos negros que construíram diferentes formas de organização e se empenharam na luta por direitos e espaços de cidadania” (p.199).
Os castigos e as humilhações dos escravizados, “demonstram que muitas práticas do escravismo permaneceram latentes na sociedade brasileira mesmo após décadas da abolição da escravidão” (p.198). No entanto, gradualmente, uma consciência social e racial se constituiu na cidade, graças aos laços e redes estabelecidos pela Irmandade do Rosário.
No capítulo, Grigio apresenta aos leitores e leitoras alguns atores sociais: Sisnando Antônio de Oliveira, José Francisco do Nascimento, os irmãos Adão Gabriel Haeffer e Antônio Gabriel Haeffer e Osório Nunes do Nascimento, que viveram “a experiência da escravidão e da liberdade e por estarem associados a outras instituições negras, o que permitiu uma visão mais ampla das relações sociais e comunitária em que estavam envolvidos” (p.200). Sisnando dedicou boa parte de seu tempo e de seus bens à Irmandade do Rosário e à Sociedade Treze de Maio.
A criação de uma sociedade, em 1904, para celebrar a data da abolição, naquele período era um autêntico ato de rebeldia, pois, “significava ouvir a voz daqueles que emergiram do cativeiro para a liberdade, mas uma liberdade que precisava ser construída cada dia” (p.204). Uma das características do período imediato do pós-abolição foi a intensa organização das sociedades negras. Sisnando faleceu no dia 26 de agosto de 1916.
Outro importante membro da Irmandade foi José Francisco do Nascimento, que exercia a atividade de carroceiro. “Foi desenvolvendo esta atividade ligada ao transporte urbano e enfrentando diversos tipos de preconceitos que Francisco do Nascimento construiu sua numerosa família” (p.220). Uma dentre as muitas atuações de sua família foi na administração de Sociedade Carnavalesca Recreio da Mocidade, ligada ao clube Treze de Maio. “Essa família negra também estava envolvida com associações de caráter profissional” (p.223), como o Centro Recreativo Ferroviário, o Clube União familiar. “José Francisco do Nascimento circulava entre estas instituições, mas seu destaque foi na gerência da revista ‘O Succo’. Ele constituiu uma grande família, seus filhos participaram ou dirigiram as mais diversas associações negras. “Esse foi seu maior legado” (p.225).
Os irmãos Antônio Gabriel e Adão Gabriel a seu modo participaram das transformações ocorridas na cidade seja como escravizados, seja com libertos. A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e a Sociedade Treze de Maio contaram também com a liderança e o envolvimento de Osório Nunes do Nascimento que ocupou cargos nas duas instituições (p.232), Ele faleceu com 64 anos no dia 30 de abril de 1933.
“Tão importante quanto a criação dessas instituições foi a sua defesa. Em 1915, os irmãos do Rosário tiveram que defender a posse de sua capela em um conflito que dividiu a cidade e os membros da Irmandade” (p.257).
Irmandade do Rosário: perda do direito à sua história
O último capítulo intitulado A Irmandade do Rosário e o Padre Caetano Pagliuca (pp.242-278), comenta, a “atuação do Pe. Caetano Pagliuca e sua relação com a Irmandade do Rosário” (p.247). Nascido na Província de Avelino, em Montefacione, Itália, no dia 28 de março de 1874, mais tarde tornou-se religioso da Congregação Palotina e foi destinado com outros confrades para Porto Alegre, onde foi ordenado padre no dia 30 de novembro de 1887. “O clero católico passou por momento de instabilidade na direção da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, de Santa Maria da Boca do Monte, ao final do século XIX” (p.247). A implantação de um projeto de igreja ultramontano gerou fortes tensões e divisões na comunidade. Pagliuca conseguiu se impor e gradualmente conquistar a população local. Paulatinamente passou a controlar as organizações da paróquia, entrando em choque com a Irmandade Nossa Senhora do Rosário, esta moveu um processo contra ele. “O padre Caetano Pagliuca estava conseguindo mobilizar diferentes setores da sociedade e aproveitava-se disso para fortalecer sua presença na sociedade santa-mariense e controlar as instituições religiosas da cidade” (p.247).
A Irmandade do Rosário foi extinta em 1930, sua capela demolida em 1942 e sua história acabou sendo ignorada na cidade. Em 1984, por ocasião das comemorações dos 25 anos da criação da Paróquia do Rosário [1959] foi lançado um livro para comemorar a data. Pois bem, nele os irmãos do rosário foram culpados pelos problemas ocorridos e são vistos como anticlericais. No entanto, eram católicos e devotos autênticos de Nossa Senhora do Rosário, além disso, “eram sujeitos autônomos e estavam defendendo o que julgavam seu por direito” (p.275).
Pontuações finais
O livro “No alvoroço da festa...” apresenta-nos a trajetória da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário de Santa Maria, entre 1873-1942. Um traço marcante dessa trajetória foi a diuturna luta pela liberdade, luta diária contra estruturas hierarquizadas da sociedade santa-mariense.
Entre os muitos méritos do livro está o de resgatar a memória da luta pela liberdade da irmandade e de alguns de seus membros. Ambos tinham sido silenciados pelas narrativas eclesiásticas e pelas atitudes de uma sociedade racializada, que recorria as definições de cor como critério legítimo de hierarquização social. Importante, também, ter desfeito alguns mitos cultivados pela historiografia tradicional, como o da pouca religiosidade do Rio Grande do Sul e o da pouca participação dos colonos alemães na dinâmica escravista presente na sociedade brasileira. “Os imigrantes de origem alemã utilizaram seus escravos em serviços diversos, como os trabalhos domésticos, amas de leite, na agricultura e pecuária, nas suas oficinas, nas viagens em busca de mercadorias para abastecer suas casas comerciais e também os alugavam para prestação de serviços” (p.142).
O autor abre um amplo diálogo com os historiadores e historiadoras que estudaram as irmandades regionais e do país. Dele retira tópicos importantes para se avançar na compreensão da essência das irmandades, em especial das irmandades negras. Não deixa de ser impressionante o fato da devoção a Nossa Senhora do Rosário, por parte da população negra e sua presença em todo o território nacional. Nas irmandades a população negra vivia momentos de liberdade, onde a força da festa, das coroações e de tantas outras atividades superava as margas restrições da escravidão e do racismo.
A leitura do “No alvoroço da festa...” ajuda-nos a desconstruir conceitos, ideias, a mentalidade racista e discriminadora das narrativas historiográficas, ainda presentes no imaginário da sociedade brasileira.
Bibliografia
DIAS, Elisangela. As crianças das Rodas dos Expostos; escritos do século XX. São Paulo: Editora Labrador, 2023.
FARIA, Sheila de Castro. Sinhás Pretas, Damas Mercadoras. As pretas minas nas cidades do Rio de Janeiro e de São João D’Rey (1700-1850). São Paulo: Cosac, 2025.
GRIGIO. Ênio “No alvoroço da festa, não havia corrente de ferro que os prendesse, nem chibata que intimasse”. A comunidade negra de Santa Maria e sua irmandade do/Rosário (1873-1942). Santa Maria: Câmara Municipal de Santa Maria, 2018.
FREYRE. Gilberto. Casa grande & senzala. 51 ed. São Paulo: Global, 2006.
MARCÍLIO, Maria Luiza. A Roda dos Expostos e a criança abandona na História do Brasil, 1726-1950. São Paulo: Unesp, 1998.
SANTIROCCHI, Ítalo Domingos. Questão de consciência. Os ultramontanos no Brasil e o Regalismo do Segundo Reinado (1840-1889). Belo Horizonte: Editora Fino Traço, 2015.
SCARANO. Julita Devoção e escravidão: A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos no Distrito de Diamantino no século XVIII. São Paulo: Conselho Estadual da Cultura, 1975.
ANOTAÇÕES
[1] Passaremos a indicar apenas a página do livro
[2] Para alguns pesquisadores as raízes remotas das irmandades estão nos “colégios romanos” e nas “guildas” germânicas (Cf. p.32)
[3] Para a história e origem da Rodas dos Expostos ver, MARCÍLIO, Maria Luiza. A Roda dos Expostos e a criança abandona na História do Brasil, 1726-1950. São Paulo: Unesp,1998; DIAS, Elisangela. As crianças das Rodas dos Expostos; escritos do século XX. São Paulo: Editora Labrador,2023. A Instituição existiu no Brasil até 1950.
[4] Para um amplo estudo das alforrias ver resenha de FARIA, Sheila de Castro. Sinhás Pretas, Damas Mercadoras. As pretas minas nas cidades do Rio de Janeiro e de São João D’Rey (1700-1850). São Paulo: Cosac, 2025, em https://www.veredasbrasileiras.com
[5] Com relação ao Ultramontanismo ver, SANTIROCCHI, Ítalo Domingos. Questão de consciência. Os ultramontanos no Brasil e o Regalismo do Segundo Reinado (1840-1889). Belo Horizonte: Editora Fino Traço, 2015. O livro inovador que repõe a Igreja na história do Brasil oitocentista.



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